*

...

Cuidadosamente passeei por entre os destroços.
Uma voz calma debaixo do piso onde me encontrava falava comigo, especificamente comigo, como se soubesse quem eu era.
Mas não teria como saber.
Este corpo que trago não é mais o meu corpo. Este corpo sente-se inteiro, aceita-se, as mãos com os braços, os dedos com as mãos, as unhas com os dedos. Mas não é meu.
Como poderá alguém reconhecer-me por ele?
Havia algo naquela voz que me trazia à memória recordações há muito esquecidas. Era calma e talvez fosse por isso, já que a serenidade traduz o amor e justifica o reencontro.

quarta-feira, maio 12, 2004 17:14
*

...

Lost in cheap delirium
Searching the neon lights
I move carefully
Sink in the city aquarium
Sing in the key of night
As they're watching me

Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own

Wrapped in silent elegance
Beautifully broken down
As illusions burst
Too late to learn from experience
Too late to wonder how
To finish first

Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
'Cause lately I've been losing my own

Take me somewhere we can be alone
Make me somewhere I can call a home
Won't you take me home
Won't you take me home
'Cause lately I've been losing my own
Won't you take me home

Zero 7 - [When It Falls] - Home


[ Amyas ] *

...

Mas onde terei deixado a minha sanidade?
Na mesa-de-cabeceira para dormir mais solto? A marcar um livro talvez…
Só sei que quando acordei ela não estava lá.
Formei em tempos a teoria de que em alturas em que estamos mais ausentes, há outras forças que tomam forma nos nossos gestos… isto por não sermos ou estarmos suficientemente competentes para tomarmos as mais correctas opções.
Incompetência essa derivada do facto de que por vezes há assimetrias nas vontades que nos governam. Contrariedades que obrigam a que outras entidades mais profundas intervenham. Profundas em cada um de nós, não necessariamente exteriores… embora muitas vezes o dentro e o fora sejam somente um jogo de palavras.
A maior parte das vezes a intenção será a de não nos deixar fazer algo, e não o inverso.
E claro, parto do principio que há na dada pessoa a intenção imanente e natural de buscar a própria saúde, em todos campos em que a saúde se traça.

sexta-feira, maio 07, 2004 3:23
[ Rui ] *

"..."

Alabama - Please shut up! I'm trying to come clean. I've been a call girl for exactly four days and you are my third customer. I want you to know, that I am not damaged goods. I'm not what they call in Florida, white trash! I'm a really good person. And when it comes to relationships... I am one hundred percent monogamous.

Clarence - You stay with one guy?
Alabama - Exactly. If I'm with you, then I'm with you. And I don't want anybody else.

...

Alabama - And I feel really goofy saying this... after only knowing you one night, and me being a call girl and all.... But, I think I love you.

Clarence - Wait a second. Look, I've been trying to keep this whole thing in perspective. You just said you loved me. If I say I love you, throw caution to the wind... let the chips fall as they may, and you're lying, I'll fucking die.

Alabama - I'm not lying to you. And I swear from this moment forth... I will never lie to you again.

...

in "True Romance", 1993