segunda-feira, dezembro 08, 2003 0:01
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Trazia nas mãos o ressentimento algo obscuro de quem encontrou amor por motivos errados.

Somente tu, que aspiravas a anjo, me trouxeste a miséria do desencontro divino.
E dizias – banho-me no orvalho cândido da primavera, espinhos são punhais que roçam sem ferir os meus braços. Fora do tempo o meu espaço é teu.

Onde te encontro? – Fechas os olhos até sentires uma mão na tua.
Como sei que és tu? – Vais ouvir pela primeira vez um silêncio pleno, como se todas as vozes que te encantam se calassem de repente.
Que vozes são essas? – As vozes do teu espírito. Aquelas que não te deixam sozinho e nunca te encontraram em uníssono.