sexta-feira, agosto 22, 2003 3:39
[ Roberta ] *

existir

esta branca constante começa a causar danos...
o vago existir dos ciclos em assincronia com o ser.
os últimos espinhos emocionais que ainda magoam como farpas a cada gesto... duplicando a dor da perda, quando tal perda se faz sentir...

não.
o tempo já passou. este sentir já não é real, e a nova realidade faz-se sentir para além das barreiras dominadas pelo habito. e clareia as perdas e os desenganos até não restar mais que um fluxo de luz cristalina. a verdade dói mas reestrutura quando assimilada sem bloqueios, projecções e outras divagações criativas do ego.


[ ] *

impressão

nunca tiveste a sensação, de que ao revelares a alguém uma derivação (apenas interiormente assumida) dos teus sentimentos, o peso do universo cai nos teus ombros... que de repente esse pequeno pormenor da tua vida intima toma o estatuto de facto real, consumado e inabalável...
a liberdade do talvez e a ligeireza dos estratos do sentir esvai-se em pulsações de terror... e as implicações multiplicam-se como se fossem inevitáveis.
exagéro, claro... a mente neurótica a inventar desculpas para mascarar o conformismo... medo.

medo de compromissos talvez. ainda estou um pouco queimado...
mas foi o suficiente para passar o dia com uma ligeira impressão de q o mundo agora sabia e reprovava a minha pequena liberdade.

bom... a opinião do mundo não é assim tão importante... mas a de alguem é.

sábado, agosto 16, 2003 2:50
*

varius

optimismo
uma lâmina deixada ao acaso por perto. vibrava sozinha em pensamentos de luxúria primaveril por um belo tomate vermelho, que descontraidamente rolara para fora do cesto...
- sei que ele também me ama - pensava

corpo
é fácil concentrarmo-nos nos males do corpo... os formigueiros, a comichão, a leve dor de cabeça, a fome imaginária, a sede real, a má posição das costas na cadeira... com a idade aprendemos a tolerar e ignorar.

Palavras
as palavras pela mañana ainda não estão maduras. cairão pela calada da tarde quando menos esperarmos.

Metro
- Mas você está a dar-me esmola sua velha degenerada!?! - explode ele, articulando agora claramente todas as sílabas enquanto a ameaça perigosamente com a bengala.

encanto
a todos os lugares do mundo que eu não conhecerei ainda que viva cem anos